Tallow Balm de Baunilha Bourbon: O Que Aconteceu Com a Minha Pele no Inverno
Olha, vou ser sincero. Estava com o telemóvel a 12% e meio a ver uma série qualquer, mas não conseguia parar de pensar nas minhas mãos. Estavam tão secas que pareciam papel. Tinha acabado de gastar sei lá, 15 euros num creme de mãos de uma marca famosa, aquela que está em todo o lado na TV. A embalagem era linda, azul e branca, cheia de promessas. Dizia “hidratação intensa por 48h”. Mentira. Absoluta. Duas horas depois, estava outra vez com aquela sensação de repuxar, de pele a querer rachar. E o pior? Cheirava a… nada. A químico limpo. A desilusão.
Foi aí que me lembrei de uma coisa que tinha visto num grupo qualquer online. Alguém a falar de sebo. De banha de vaca. Para a pele. Eu pensei: “Estão malucos. Isso é para fritar batatas.” Mas a pessoa insistia, dizia que era o melhor que já tinha usado para eczema. E eu, na minha frustração de inverno, com os cotovelos a fazerem escala no deserto do Saara, pensei: “Porque não? Pior que este creme azul não há de ser.”
Encomendei um pote pequeno de um balm de tallow batido, sabor Baunilha Bourbon, de uma lojinha na Etsy. Chegou numa terça-feira acho eu. O tempo estava cinzento, daqueles dias que nunca chega a ficar claro. Abri a caixa.
Como Acabei Por Meter Banha de Vaca na Cara
A primeira reação foi de cheiro. Não vou inventar descrições poéticas. Cheirava a baunilha. Mas não aquele cheiro doce e artificial de bolos de supermercado. Era mais… quente. Mais como abrir um frasco de baunilha a sério, daqueles caros, misturado com alguma coisa tipo madeira velha. Ou como a cozinha da minha avó no Natal. Não era um perfume, era um cheiro. Há diferença. Fiquei ali a cheirar o pote uns segundos. Estranho. Mas não desagradável. Longe disso.
A textura era a parte mais estranha. Meti o dedo e era macio, mas sólido. Derreteu logo com o calor da pele. Ficou oleoso, mas não gorduroso daquela maneira que fica colado. Espalhei um bocadinho no dorso da mão. Absorveu. Tipo, mesmo absorveu. Não ficou aquela película brilhante que o creme azul deixava. Ficou… nada. A pele só estava macia. Macia de verdade. Não era “maciez” de publicidade. Era a maciez de não doer ao fechar a mão.
Fiquei parvo. E pensei: “Se funciona nas mãos, que são o pior, vamos experimentar no rosto.” Coragem de quem já não tem nada a perder. A minha cara no inverno fica com umas zonas super secas perto do queixo e ao lado do nariz, e o resto normal. Um desastre. Passo um hidratante normal e fico ou com brilho ou com as zonas secas à mesma. Nada funciona.
Passei uma camada finíssima. O cheiro era relaxante, não vou mentir. Tinha a TV ligada de fundo e nem prestava atenção. Só sentia aquele cheirinho a baunilha quente. E a pele… não pesava. Não ardia. Não fazia nada. Só estava hidratada. Foi aí que fui pesquisar.
Porque é que Tallow para a Pele Até Faz Sentido
Descobri que o sebo, a gordura da vaca, quando é de animais criados a pasto, tem uma estrutura muito parecida com o sebo humano. Aquele óleo que a nossa pele produz naturalmente. Os cremes comerciais, tipo o meu azul falhado, tentam imitar isso com um monte de ingredientes sintéticos, silicones, e óleos minerais. Eles ficam em cima da pele. Fazem uma barreira. O tallow, porque é tão parecido com o nosso, consegue entrar. É como dar à pele exatamente o que ela já conhece, em vez de um substituto estranho.
O tal balm que eu tinha era feito na França, com sebo de vaca alimentada a erva, batido até ficar com uma textura super leve. E era só isso. Sebo, e óleos essenciais para o cheiro (no meu caso, baunilha bourbon). Nada de parabenos, fragrâncias sintéticas, ou aqueles nomes químicos que ninguém consegue pronunciar. Parecia demasiado simples para funcionar. Mas a minha pele, naquele momento, não estava muito preocupada com complexidade. Estava preocupada em não gretar.
Aqui está a grande diferença entre skincare natural vs comercial, pelo menos para mim. Um tenta disfarçar o problema com perfume e textura agradável. O outro é o problema resolvido, mas sem glamour nenhum. É a diferença entre tomar um comprimido effervescente com sabor a laranja para a dor de cabeça, ou tomar um ibuprofeno simples. Um sabe melhor, o outro funciona.
O Que Este Balm de Baunilha Bourbon Fez (e Não Fez)
Passada uma semana, as coisas começaram a mudar. As minhas mãos já não tinham aquelas linhas brancas super secas quando as esticava. Os cotovelos deixaram de parecer lixa. E a minha cara… a minha cara foi o mais estranho. As zonas secas desapareceram. Simplesmente. Mas o resto não ficou gorduroso. Ficou equilibrado. Como se a pele tivesse percebido que não precisava de produzir óleo a mais para compensar as zonas secas, porque já estava tudo hidratado de maneira uniforme.
Usei nos lábios também, que estavam sempre gretados. Funcionou melhor que qualquer batom de cacau que já tive. E a sensação ao deitar era a melhor parte. Passava no rosto, cheirava àquela baunilha quente e aconchegante, e era instantaneamente calmante. Tipo um sinal para o cérebro desligar. Stress-reducing não é bem a palavra que usaria. É mais… reconfortante. Familiar.
Agora, o que ele não faz: Não cheira a flores ou a champô caro. Não tem uma embalagem de luxo (o meu veio num pote de vidro âmbar simples, com uma etiqueta colada à mão). Não faz espuma. Não arrefece ou aquece de forma espetacular. Não promete milagres em 7 dias. Ele só… hidrata. Profundamente. E para alguém que passou o inverno todo a lutar contra a pele seca, isso é que era o milagre.
Comprei o meu na Etsy, da loja que faz este específico. Gosto de saber que vem de um sítio pequeno, que alguém bateu aquele sebo à mão, que misturou os óleos essenciais. Tem personalidade. Ao contrário do creme azul, que podia ter sido feito numa linha de montagem em qualquer lado do mundo.
A Minha Pele Depois de Umas Semanas a Usar Isto
Já lá vão umas boas semanas. O pote está a ficar com a marca do meu dedo no meio. É um sinal de uso honesto, acho eu. Os resultados não são dramáticos no sentido de “pareço uma estrela de cinema”. São dramáticos no sentido de “já não penso na minha pele”.
Antes, era um ritual de manhã e à noite: limpar, hidratar, rezar para não ficar brilhante ou seco. Agora é: lavar a cara, passar um bocadinho disto. Acabou. Às vezes até de manhã salto, porque a pele ainda está hidratada da noite anterior. Poupei tempo. Poupei frustração.
A textura do produto em si também mudou um pouco com o uso, ficou ainda mais macia, derrete ainda mais rápido. E o cheiro mantém-se. Não é daqueles que desaparece em 5 minutos. Fica um vestígio suave. O meu namorado até comentou: “Cheiras sempre bem à noite.” E ele detesta a maioria dos perfumes e cremes com cheiro. Este, não. Disse que cheirava a bolachas. Acho que é um elogio.
O maior teste foi quando visitei os meus pais, que têm aquecimento central super seco. Levei o meu pote. A minha mãe, que tem a pele super sensível e com tendência para eczema, viu-me a passar e fez uma cara. “O que é isso?” Expliquei. Ela ficou horrorizada. “Banha?!” Mas as mãos dela estavam piores que as minhas estavam. Insisti. Ela experimentou, muito relutante. No dia seguinte, veio ter comigo e disse: “Onde é que compraste isso?”. Está agora à espera que lhe compre um pote. Acho que isso diz tudo.
Compraria Outra Vez?
Sim. Já o fiz, na verdade. Ainda tenho metade do primeiro, mas como sei que demora a fazer e às vezes esgota, já tenho um de reserva. É daquelas coisas que, quando descobres que funciona, tens medo que desapareça.
Não é barato, se compararmos com um creme do supermercado. Mas se compararmos com os cremes de farmácia ou de marcas “naturais” de luxo que eu já experimentei e que não fizeram nada… sai barato. Porque usas uma quantidade minúscula. Um pote dura uma eternidade.
Mudou a minha abordagem à skincare completamente. Agora procuro simplicidade. Se a lista de ingredientes tiver 30 coisas que não conheço, desconfio. Se tiver 4 ou 5, e eu perceber o que são, fico interessado. Este tallow balm foi o meu ponto de viragem.
Não vou dizer que é para toda a gente. Se procurares algo com SPF, ou com ácidos, ou que faça peeling, não é isto. Isto é hidratação pura e dura. É nutrição. É como dar um caldo bom à tua pele quando ela está constipada de secura.
Para mim, que só queria que a minha pele parasse de doer e de descamar no inverno, foi a resposta. A simplicidade às vezes é a coisa mais inteligente. Quem diria que a solução estava numa gordura que a nossa avó usava para cozinhar.
Perguntas Rápidas Que Me Fazem
O sebo de vaca é bom para o rosto? Pois, soa estranho. Mas sim, porque é muito parecido com os óleos que a nossa pele já produz. A tua pele reconhece-o, por isso absorve bem e não fica à superfície a entupir. É como dar-lhe comida que ela já sabe digerir.
O tallow balm entope os poros? Pelo contrário. Como é tão similar ao nosso sebo, a pele absorve. Os poros ficam é mais calmos, porque a pele não está desidratada e a tentar produzir óleo a mais para compensar. A minha pele mista melhorou muito nesse aspeto.
A que cheira o balm de Baunilha Bourbon? Cheira a baunilha verdadeira, daquelas que usas em bolos caseiros, mas mais quente e um pouco mais… profundo. Não é doce nem enjoativo. É aconchegante. Como o cheiro de uma cozinha onde se está a fazer algo bom. Não é um perfume, é um cheiro natural.
Enfim. Se estás farto de cremes caros que não funcionam, ou daqueles de supermercado que são só perfume e água… pode valer a pena experimentar. Foi o que eu fiz, meio sem esperança, e correu bem. A minha pele agradece. E eu também. Acho que vou ali passar um bocadinho agora, que o inverno ainda não acabou.
