Tallow Balm de Abacaxi: A Gordura que Minha Vó Sabia que Funcionava
Tem uma coisa que eu venho usando no rosto que é, basicamente, gordura de boi. Soa estranho, né? Eu sei. É um tal de balm de tallow, ou sebo bovino batido, com cheiro de abacaxi. A minha jornada até aqui começou numa noite de inverno, com o aquecedor ligado e a pele parecendo um pergaminho velho. Tava fuçando na internet, acho que procurando por “hidratante que prende a umidade de verdade” ou algo assim, e caí num buraco de coelho sobre skincare tradicional. E aí, do nada, me lembrei da minha avó.
Ela não falava em “tallow skincare” ou “beef tallow history”. Ela só guardava uma lata de gordura na cozinha, daquela que era usada pra cozinhar, e às vezes passava nas mãos muito secas. Eu achava nojento quando era criança. Mas a pele dela, mesmo velhinha, era macia. A conexão veio tipo um estalo. Será que essa coisa que todo mundo jogou fora quando apareceram os potes bonitos da farmácia era justamente o que a gente precisava? Resolvi testar. Encomendei um pote desse Whipped Tallow Balm sabor abacaxi, feito na França, de boi criado a pasto. Meu celular tava com 12% de bateria quando cliquei em comprar. Foi um salto de fé fedorento.
E chegou. Um pote pequeno, simples. Abri e… bom, cheirava a abacaxi. De verdade. Não aquele cheiro artificial de limpeza, mas tipo um abacaxi maduro, doce, mas não enjoativo. Me deu uma sensação de verão, de férias, que é bem contraditório quando você tá de moletom em pleno julho. A textura é estranha. Não é um creme, não é uma pomada. É meio sólido, mas se você pega com a ponta do dedo, ele amacia na hora. Fica tipo uma manteiga batida. Coloquei um pouco no dorso da mão primeiro, com medo. É gordura animal, afinal.
Como Comecei a Passar Gordura de Boi no Rosto
Foi puro desespero. Minha testa e as bochechas estavam tão repuxadas que doía pra sorrir. Eu tinha gastado uma pequena fortuna em um hidratante “revolucionário” com ácido hialurônico e o escambau. Funcionava por meia hora. Depois, a pele voltava a ser um deserto. Aí veio a memória da vó, e a pesquisa. Descobri que essa parada de tallow, ou sebo, tem uma história longuíssima. Não é modinha nova de internet. É algo que povos antigos, tipo romanos e egípcios, já usavam pra pele e cabelo. Era um produto básico, feito em casa. A industrialização e a chegada dos óleos vegetais baratos e dos produtos químicos empurraram o tallow pra fora dos nossos hábitos. Virou coisa do passado, “ultrapassado”.
Mas aí o ciclo virou. A galera começou a questionar os ingredientes com nomes impossíveis de pronunciar, os conservantes, os perfumes sintéticos. E aí o “natural skincare comeback” olhou pra trás e resgatou o tallow. Faz sentido, se você parar pra pensar. A gordura animal, especialmente de animais criados a pasto, tem um perfil de ácidos graxos muito parecido com o sebo que a nossa própria pele produz. É como se fosse uma chave que encaixa perfeitamente na fechadura. Ele não fica só em cima da pele, criando uma película gordurosa. Ele é reconhecido e absorvido. Nutre de verdade.
Então lá fui eu, numa terça-feira à noite, passar essa manteiga de abacaxi bovina no rosto limpo. A sensação inicial é… gordurosa. Óbvio. Mas não é aquela gorrura de vaselina que não some. Em uns dois, três minutos, ela some. A pele fica macia, não brilhante. Parece… alimentada. Foi a primeira vez, naquele inverno, que eu lavei o rosto de manhã e ele não estava apertado. Fiquei impressionado. Meu café esfriou enquanto eu ficava tocando a própria bochecha.
O que esse Tallow Balm de Abacaxi Realmente Faz
Não é mágica. É bioquímica básica, eu acho. A pele seca, especialmente no inverno, é uma pele desprotegida. A barreira natural tá comprometida. O tallow, por ser tão compatível, ajuda a reconstruir essa barreira. Ele sela a umidade que já tá lá e fornece os nutrientes pra pele se reparar. Comecei a usar todo dia, de noite. No começo, só no rosto. Depois, vi que minhas mãos estavam horrorosas, rachando nas juntas dos dedos. Passei nelas também.
Os resultados não foram instantâneos, mas foram consistentes. Depois de uma semana, aquele repuxamento crônico tinha ido embora. Depois de duas, a textura da pele do rosto ficou mais lisa, menos “casca de laranja”. As mãos pararam de rachar. Eu tenho um pouco de psoríase no cotovelo, uma mancha seca e vermelha que vive reaparecendo. Resolvi testar. Passei o tallow religiosamente por uma semana. A vermelhidão diminuiu muito e a descamação parou. Não curou, claro, mas controlou de um jeito que nenhum creme específico caro tinha conseguido.
E o cheiro de abacaxi? Cara, faz diferença. Acaba sendo uma experiência sensorial boa. Você tá passando gordura de animal no rosto, mas o cheiro é tropical, alegre. Te transporta. É um detalhe bobo, mas que torna o ritual agradável. Meu namorado estranhou no primeiro dia. “Tá cheirando a abacaxi aqui?”. Expliquei. Ele riu, mas uma noite, com os lábios rachados, pediu pra experimentar. Agora vive “roubando” meu pote pros lábios. Funciona absurdamente bem pra isso também.
Ah, e comprei no Etsy. Foi numa lojinha pequena, que importa direto da França. O processo foi tranquilo, chegou bem embalado. Tô no meu segundo pote já.
Minha Pele Depois de Algumas Semanas
É difícil descrever. Não é que eu pareço 20 anos mais novo ou que todas as minhas rugas sumiram. Longe disso. É mais uma questão de saúde. A pele parece… resiliente. Antes, se eu esquecia o hidratante um dia, era um desastre. Agora, ela segura a onda. Não fica seca daquele jeito desesperador. Tem uma luminosidade diferente, não é brilho de gordura, é mais um “glow” saudável. Como se estivesse bem nutrida por dentro.
As mãos são o maior testemunho. Eu lavo louça, mexo no computador, e no inverno elas sempre viravam um mapa de rachaduras. Dolorido. Agora, mesmo com o frio, elas estão intactas. Macias. É uma sensação boba de satisfação, passar a mão no dorso e sentir liso. Meus cotovelos, que eram sempre ásperos, estão apresentáveis pela primeira vez na vida adulta. Parece pouco, mas pra qualidade de vida no dia a dia, faz uma diferença enorme.
E o mais engraçado: voltei a lembrar de outras coisas da minha avó. Ela usava banha pra tudo. Pra fritar ovo, pra untar a assadeira, e sim, pra passar na pele quando precisava. Era um conhecimento prático, passado de geração em geração, que a gente descartou como primitivo. E agora, com toda a nossa tecnologia, a gente redescobre que ela tinha razão. Existe uma certa ironia nisso. Tomei um gole de água aqui. A água tava meio morna, detesto.
Compraria de Novo?
Já comprei. Como falei, tô no segundo pote. E já indiquei pra minha mãe, que sofre com a pele seca por causa da idade. Ela ficou horrorizada com a ideia no começo, mas depois de ver minhas mãos, topou experimentar. Agora ela é convertida também. A gente ri disso, dessa nossa “sociedade secreta do tallow”.
Não é pra todo mundo. Se você tem pele muito oleosa e acneica, talvez não seja a melhor opção (embora eu tenha lido relatos de gente com acne que se deu bem, porque restaurou a barreira da pele). Pra pele seca, sensível, madura, ou pra tratar áreas específicas muito ressecadas (cotovelos, joelhos, pés), é um produto fenomenal. E econômico. Você usa uma quantidade minúscula. Um pote dura meses.
O que eu mais gosto, no fim das contas, é a simplicidade. A lista de ingredientes é curta: sebo bovino de boi grass-fed, óleo essencial de abacaxi pra fragrância. É isso. Não tem dez mil componentes, não vem num pote futurista, não promete milagres. Ele só entrega o que promete: nutrir a pele de um jeito que ela reconhece. É um retorno às origens, mas sem romantizar o passado. É só eficiência pura e simples.
Perguntas Rápidas que Me Fazem
Tallow de boi é bom pro rosto? Pra mim, foi ótimo. A lógica é que a gordura é muito parecida com o sebo humano, então a pele absorve bem e usa pra reparar a barreira natural. Não é qualquer gordura, tem que ser de boi criado a pasto, de boa qualidade.
Entope os poros? Não, pelo contrário. Por ser tão compatível, ele é absorvido. Não fica aquela camada oclusiva pesada em cima da pele. Minha pele, que é mista, não ficou com mais cravos nem nada. Mas cada pele é um universo, né?
Como é o cheiro do tallow balm de abacaxi? É cheiro de abacaxi mesmo. Doce, tropical, bem gostoso. Não é aquele perfume químico que some em cinco minutos. É suave e dura um pouco. Dá uma vibe de férias, o que é um bônus inesperado.
Enfim. Se você tá cansado de gastar rios de dinheiro em potes que não resolvem, se sua pele tá rebelde no frio, ou se só tem curiosidade sobre esse “natural skincare comeback” com coisas tradicionais… talvez valha a pena dar uma chance. Foi o que eu fiz. E no meu caso, a gordura que a minha avó sabia que funcionava, funciona mesmo. Minha pele agradece. E a memória dela também.
Acho que vou pedir mais um pote, pra estoque. Só por garantia.
