Tallow Balm de Pera: O Que Aconteceu Com a Minha Pele no Inverno
O vento corta. Sério, é assim que começa. Você sai de casa e é tipo um soco de ar seco no rosto. Aquele frio que mais arranha do que esfria. Minha pele, nessa época, fica com um humor pior que o meu numa segunda-feira de manhã. Fica toda repuxada, meio esquisita, e se eu sorrir muito parece que vai rachar. E as mãos? Esquece. Parecem lixas. Era assim todo ano. Até que, sei lá, resolvi tentar uma coisa diferente. Uma coisa chamada balm de sebo bovino, ou tallow balm. Soa estranho, eu sei. Banha de boi no rosto. Mas aí tem essa versão com cheiro de pera. E eu gosto de pera. E minha pele tava me odiando. Então, vamos lá.
A minha rotina de skincare no inverno era uma piada. Era um monte de potinhos caros que prometiam o céu e entregavam… bem, uma pele ainda meio craquelada e confusa. Passava um hidratante, depois um óleo, depois rezava para não parecer um donut. Funcionava mais ou menos. Ou melhor, funcionava mal. Até que cansei. Foi numa dessas noites, com o aquecedor ligado (que resseca tudo, aliás, ótimo), fuçando na internet. Encontrei umas pessoas falando de tallow. Pensei: “isso é modinha de hippie, não é possível”. Mas aí li que o negócio é tipo… parecido com a nossa oleosidade natural. Aí fez um pouco mais de sentido. E tinha um de pera. Meio específico, né? Comprei. Chegou numa caixinha simples, de uma lojinha no Etsy. O gato cheirou e saiu andando. Julgamento felino.
Como é Usar Banha de Boi no Rosto (Sério)
Abri o pote. A textura é bizarra. É densa, mas não pesada. Sabe a manteiga quando você tira da geladeira e ela tá naquele ponto perfeito pra passar no pão? É mais ou menos isso. Não é líquido, não é sólido. É um creme whipped, bem aerado. Pega um pouquinho com a ponta do dedo. Derrete na pele num instante. Isso foi o que mais me surpreendeu. Não fica aquele brilho oleoso, aquele “olha aqui o que eu passei no rosto”. Absorve. De verdade. Parece que some. A pele fica macia, mas não escorregadia. É uma sensação estranhamente… normal. Como se sua pele dissesse “ah, era isso que tava faltando”.
O cheiro é muito, muito sutil. Não é aquela fragrância de produto que invade o cômodo. É mais um “e se uma pera madura, mas não muito doce, pudesse cheirar a algo limpo?”. Não é doce de bala. É fresco. Leve. Some quase completamente depois de uns minutos. Gostei porque não compete com perfume ou nada. É só um detalhe agradável na hora de aplicar. Meu marido perguntou se eu tinha passado algum creme novo. Disse que cheirava “limpo”. Pronto, tá aí a descrição.
Minha rotina agora é simples. Depois do banho, com a pele ainda um pouco úmida, passo um pouco nas bochechas, testa, queixo. Nas mãos, sempre. Nos cotovelos, que pareciam casca de árvore. Nos lábios também, antes de dormir. Virou meu coringa. O pote fica na pia do banheiro, ao lado da escova de dentes. Virou parte da paisagem. E o mais louco? Funciona. De um jeito chato, sem frescura, de funcionar.
Por Que Isso Funciona Quando Outras Coisas Não Funcionaram
Acho que a questão é essa: não é um hidratante que fica em cima da pele. Ele parece entrar. Porque, tecnicamente falando (e eu li um pouco depois, com uma taça de vinho na mão), o sebo bovino, especialmente de gado criado a pasto, tem uma estrutura de ácidos graxos muito parecida com o sebo humano. Nossa pele reconhece aquilo. É como dar a ela algo que ela já sabe como usar. Não é um ingrediente alienígena de laboratório com nome impossível. É gordura. Limpa, processada, cheirosinha, mas gordura. E nossa pele gosta de gordura boa. No inverno, quando o ar suga toda a umidade, ela precisa dessa barreira.
Lembro de ter usado um creme caríssimo, daqueles em frasco de vidro pesado. Cheirava a rosas e prometia milagres. Minha pele ficava ok por uma hora, depois voltava ao estado de repuxamento. Era como dar um copo d'água pra alguém com sede desesperada. Resolve por um instante. Esse tallow balm é diferente. É como dar um prato de comida. Sustenta. A pele para de pedir socorro o tempo todo. A sensação de desconforto constante some. Você simplesmente para de pensar na sua pele. E isso, no meio de um dia de trabalho estressante e vento gelado lá fora, é um alívio mental também.
Ah, e sobre a loja no Etsy. Foi onde achei. A Maison de Sève, acho. Francesa. O processo de compra foi normal, chegou rápido, bem embalado. Gosto de comprar desses pequenos produtores. Parece mais real. Me senti menos uma consumidora e mais uma pessoa comprando uma coisa de outra pessoa, saca?
Minha Pele Depois de Algumas Semanas (A Parte Real)
Os resultados não foram dramáticos tipo “rejuvenescimento instantâneo”. Foram melhores. Foram sutis e reais. Minhas mãos não estão mais ásperas. Consigo encostar num tecido de lã sem sentir que vou ficar presa. Meus cotovelos estão presentáveis. Meu rosto não fica com aquela sensação de máscara seca no final do dia, especialmente na zona T. Quando acordo, a pele não está esturricada por causa do aquecedor. Está… confortável. Equilibrada. Parece bobo, mas é uma vitória.
Teve um dia, deve ter sido uma quinta-feira, que eu tinha uma reunião importante. O estresse estava alto, o ar no escritório estava mais seco que biscoito cream cracker. No meio da tarde, no banheiro, me olhei no espelho. Esperava ver uma pele cansada, meio opaca. E ela estava… ok. Normal. Não era um brilho de revista, mas era uma pele que parecia viva, e não sofrendo. Foi aí que eu pensei: “caramba, essa coisa funciona mesmo”. É um daqueles produtos que você não percebe o quanto está fazendo até parar para pensar. Ele não chama atenção para si. Ele só faz o serviço dele em silêncio.
E os lábios! Minha boca rachava sempre. Usava um monte de lip balm que durava cinco minutos. Passo um pouquinho desse tallow balm antes de dormir. Acordo com os lábios macios. Simples assim. Parece pouco, mas pra mim é enorme.
Vou Comprar de Novo? (E Outras Perguntas)
Sim. Já até coloquei outro no carrinho. Acabando esse, já tem reposição. Virou um básico. Tipo pasta de dente. Você não fica muito animado, mas precisa ter. Só que esse, na real, eu até gosto de usar. O ritual é gostoso. O cheirinho suave. A textura. Tudo bem, vou confessar: eu gosto.
Agora, as perguntas que me fazem (ou que eu me fiz antes de comprar):
Isso de sebo bovino é bom mesmo para o rosto? Pois é, parece contra-intuitivo. Mas é. A gordura, quando é de boa qualidade (tipo de gado criado solto, a pasto), é muito limpa e compatível com a nossa pele. Não é a gordura da picanha, é uma gordura específica (o sebo) que é purificada. A pele absorve fácil e ajuda a reconstruir a barreira natural. É um dos hidratantes mais antigos do mundo, basicamente.
Entope os poros? Pelo contrário. Como é tão parecido com o que nossa pele já produz, ela sabe o que fazer. Não fica parado em cima, entupindo tudo. Ele é considerado non-comedogênico. Minha pele, que é mista e um pouco sensível, nunca teve espinhas ou cravos por causa dele. Se algo, acalmou.
Como é o cheiro do de pera? É bem leve. Não é um perfume de pera artificial, de bala. É mais uma sugestão de doçura fresca, com um fundo limpo. Some rápido. É agradável na aplicação, mas não fica te seguindo. É discreto.
Enfim. O inverno ainda tá aí, cortando e ressecando tudo. Mas minha pele não está mais em pânico. Ela está só… existindo, em paz. E depois de tentar tanta coisa, é um alívio danado encontrar algo que simplesmente funciona sem drama. Se a sua pele também fica meio dramática no frio, ficando áspera, repuxada, infeliz… talvez valha a pena dar uma chance a esse negócio diferente. Eu fui cética, hoje sou convertida. O pote tá ali na pia, meio engraçado, meio simples, fazendo seu trabalho. Às vezes a solução é mais simples (e mais antiga) do que a gente imagina.
