Lavender Tallow Balm: A Coisa Funciona e Eu Não Entendo
Tem um pote de gordura de boi na minha pia do banheiro. Sério. Parece um daqueles potes de iogurte grego que você compra no mercado, mas dentro tem banha. De vaca. Que eu passo no rosto. Às vezes antes de dormir. Eu sei, eu sei. Soa estranho. Soa tipo, muito estranho. Mas cá estou eu, numa noite de quarta-feira qualquer, com o aquecedor ligado porque tá aquele frio de rachar de São Paulo, escrevendo sobre isso no celular enquanto espero o miojo ficar pronto. Minha pele não está mais parecendo um mapa do deserto. E isso, pra mim, já é um negócio enorme.
Tudo começou numa dessas. Inverno passado, pele ressecada, aquela sensação de repuxar o tempo todo. Eu usava um hidratante caro, daqueles que vem numa embalagem preta e pesa uma fortuna. Comprei na Sephora por uns duzentos e pouco, acho. Funcionava mais ou menos. Ou funcionava até parar de funcionar, não sei. Aí veio a fase dos produtos “naturais”. Óleo de rosa mosqueta. Manteiga de karité pura. Um gel de aloe vera que comprei numa feirinha orgânica e ficou mofando na geladeira. Nada resolvia de verdade. A pele ficava oleosa ou ficava repuxando, não tinha meio termo. Até que, fuçando na internet numa madrugada insone, esbarrei num tal de tallow balm. Gordura de boi, batida, pra passar na pele. Achei a coisa mais nojenta e intrigante do mundo.
Como Eu Cheguei a Passar Banha no Rosto
Foi pura curiosidade mórbida, pra ser sincera. E um cansaço de gastar rios de dinheiro em potes bonitos. O anúncio era de uma lojinha no Etsy, francesa. O produto: Whipped Tallow Balm - Lavender. Feito com sebo de boi criado a pasto, batido até ficar com uma textura de creme. A descrição falava que a gordura animal era parecida com o sebo da nossa própria pele, então absorvia melhor. Falava pra psoríase, eczema, linhas finas. Eu não tenho nada disso, só tenho pele seca e a preguiça de uma rotina de skincare com 15 passos. Cliclei. O pote de 60ml saía por uns 30 euros mais o frete. Pensei: “É o preço de um jantar fora. Se for horrível, pelo menos a história é boa.” Comprei.
Quando chegou, veio num saquinho de papel pardo, sem muita firula. O pote era de vidro fosco, simples. Abri e… bom, cheirava a lavanda. Não era um cheiro de produto de farmácia, doce demais. Era herbal mesmo. Terra, planta, um pouco de estábulo? Não sei descrever. Era um cheiro de coisa velha e boa, tipo o armário da minha avó. A textura me pegou. Não era líquida, não era dura. Era como uma manteiga que ficou fora da geladeira. Se você enfia o dedo, afunda e forma um buraco perfeito. Passa na pele e parece que vai ficar uma camada grossa, mas aí some. Ou quase some. Fica um brilho, mas não aquela gordura de quem comeu um pastel.
Minha primeira noite usando foi um misto de nojo e fascínio. Passei uma camada fina. Fiquei me olhando no espelho esperando brotar um pelo ou algo assim. Não brotou. Só fiquei cheirando a lavanda e com a pele macia. Dormi. Acordei e minha pele não estava oleosa. Esse foi o primeiro susto bom.
Por Que Gordura de Boi Pra Pele Faz Sentido (Aparentemente)
Aqui eu tive que pesquisar, porque não tava acreditando. A lógica é simples, mas contra-intuitiva. Nosso próprio sebo, a oleosidade natural da pele, é uma mistura de triglicerídeos, ácidos graxos, ceras. O sebo de animais ruminantes, como o boi criado a pasto, tem uma composição bem parecida. É como se fosse um primo distante da nossa própria gordura. Então, em vez de ficar só em cima da pele criando uma barreira (ou entupindo os poros), ele consegue ser absorvido de verdade, levando hidratação pra camadas mais profundas. É um daqueles casos em que o mais “primitivo” funciona melhor do que o químico super processado.
Pensei: “Faz sentido. Mas ainda é nojento.” Só que os resultados começaram a aparecer. Não foi uma transformação dramática, de “revitalização celular” que os comerciais prometem. Foram coisas pequenas e reais. A pele do meu rosto parou de descamar perto do nariz. Aquelas linhas fininhas de expressão ao redor dos olhos, que ficam mais visíveis quando a pele está desidratada, pareceram… menos famintas? Não sumiram, claro. Mas pararam de gritar. A textura geral ficou mais uniforme, menos áspera ao passar o dedo. E o melhor, pra mim, foram as mãos e os cotovelos. Passar o resto do produto que ficou nos dedos nas mãos virou ritual. Meus cotovelos, que eram sempre ásperos e escuros, estão presentáveis pela primeira vez na vida adulta. Parece pouco, mas pra mim foi um negócio grande.
Eu não virei uma evangelizadora do tallow. Não saio por aí oferecendo meu pote de gordura pros amigos. Mas quando minha irmã reclamou da dermatite do filho pequeno, eu falei: “Olha, tem uma coisa esquisita que funcionou comigo…” Mandei o link da loja do Etsy. Ela comprou. Funcionou pro bebê também. Aí você começa a pensar: caramba, será que a gente complicou demais a parada?
Minha Rotina Agora (É Muito Simples)
Minha rotina de skincare natural virou uma piada de tão simples. À noite, lavo o rosto com um sabonete líquido suave, daqueles de glicerina. Sequei. Pego uma quantidade minúscula do tallow balm de lavanda – do tamanho de uma lentilha – e esquento entre os dedos. Passo no rosto, no pescoço, no peito. O cheiro de lavanda é relaxante, ajuda a desligar. É o meu creme noturno. De dia, se a pele estiver muito ressecada por causa do vento frio, passo uma camada ainda mais fina antes do protetor solar. Senão, só o protetor mesmo.
Já faz uns três meses. O pote original ainda tem pela metade, porque você usa muito pouco. Mas eu já sei que vou comprar outro. Virou um daqueles produtos coringa. Queimou um pouco o braço no forno? Passa um pouco. Lábios rachando? Um pouquinho (tem gosto de nada, só cheiro). Joelho ralado? Tallow neles. Virou o meu “cura-tudo” da gaveta da cozinha. É bizarro como uma coisa tão básica resolve tantos problemas que eu tratava com produtos específicos e caros.
O inverno agora é diferente. Antes era uma batalha contra o ressecamento. Agora é só… viver. A pele está confortável. Não é perfeita, não é a pele de um bebê. É a minha pele, só que hidratada e feliz. E tem um cheirinho gostoso de lavanda que me lembra de dormir. Depois de anos pulando de produto em produto, achar algo que simplesmente funciona sem alarde é um alívio danado. É como trocar um carro cheio de tecnologia que vive quebrando por um Fusca. Pode não ser luxuoso, mas te leva pra onde você quer.
Perguntas Que Me Fazem (Ou Que Eu Me Faço)
Gordura de boi no rosto não entope os poros? Pelo que eu pesquisei e pelo que senti na pele, não. Como a estrutura é parecida com o nosso sebo, ele é reconhecido e absorvido, em vez de ficar parado em cima da pele. Minha pele é mista e nunca tive uma espinha ou cravo que eu pudesse culpar no tallow. Pelo contrário, parece que equilibrou.
Qual é a sensação na pele? É difícil descrever. Não é oleoso. Quando você passa, parece um pouco ceroso por uns 10 segundos. Aí, como se derretesse. A pele fica macia, com um brilho saudável, não gorduroso. Não é a sensação de “absorveu completamente” de um gel. Você sente que tem algo ali, mas é confortável. Meio que… protegido.
Como é o cheiro do tallow balm de lavanda? É lavanda de verdade. Não é doce, não é perfume de shopping. É herbal, terroso, um pouco amadeirado. Cheira a planta esmagada, a sachê no armário. É bem calmante. Não fica no quarto todo, só em você. Some depois de uma meia hora.
E a loja? Comprei numa loja chamada [nome da loja francesa] no Etsy. O frete demorou umas duas semanas pra chegar no Brasil, mas veio certinho. O pote é simples, sem embalagem plástica desnecessária. Gostei.
Enfim. Se você tá cansado de gastar rios de dinheiro em potes prometendo milagres, se sua pele tá sempre num extremo (ou muito oleosa ou muito seca), ou se só tem curiosidade mórbida que nem eu tinha… pode valer a pena dar uma chance. É esquisito. É contra-intuitivo. Mas, pelo menos pra mim, o negócio funciona de um jeito que nada mais funcionou. E no fim das contas, é só isso que importa, né? Minha pele tá boa, eu tô feliz, e o pote de gordura de boi vai continuar na minha pia. Vou pedir outro em breve, só pra garantir.
